Autoria: Deolindo Amorim
Texto publicado no Anuário Espírita 74 do "Instituto de Difusão Espírita" de Araras, São Paulo, Brasil
Esse texto foi transcrito do Boletim GEAE, o qual recomendamos pela qualidade e seriedade.
Já ouvimos dizer, mais de uma vez, que "o Espiritismo parou no século XIX", em matéria de estudos científicos. Depois de uma fase realmente notável, fase em que refulgiram os nomes de CROOKES, AKSAKOF, ZOELLNER, por exemplo, nunca mais se fez um trabalho de cunho científico, na acepção exata. É o que se diz. Até certo ponto, sinceramente, honestamente, devemos reconhecer que a crítica tem alguma procedência, não há duvida. Das últimas décadas do século passado ao começo do nosso século[1], é inegável, houve experiências rigorosas, comunicações e relatórios de alto teor científico. De certo tempo em diante, parece que se deu uma espécie de arrefecimento do espírito científico no campo mediúnico. Isto não quer dizer que não haja material. Há, sim.
Bons médiuns existem por toda parte, ocorrem fenômenos relevantes, mas a impressão que se tem, hoje em dia, é de que não há mais investigadores do tipo de Crookes, Gibier, Bozzano e outros. Quase não se fazem registros nos trabalhos experimentais, nem há certos cuidados, na maioria dos casos. Muito fenômeno importante fica sem anotação, sem documento para exame ou verificação.
Queremos crer que haja homens de envergadura intelectual para investigações sérias, mas talvez não haja condições, ambiente favorável, em grande parte, pois nem todas as pessoas que se dedicam a parte experimental do Espiritismo tem mentalidade científica. Há muita diferença entre mentalidade científica e cultura científica. É certo que a cultura abre horizontes largos e pode contribuir muito para a formação da mentalidade, mas é preciso não perder de vista que muitas pessoas adquirem boa cultura científica, tem muita leitura, fazem cursos especializados, etc., etc., mas não tem a verdadeira mentalidade científica. Pode parecer um contra-senso. Quem, por exemplo, fica logo deslumbrado diante de um fenômeno ou de uma comunicação "sensacional" sem qualquer análise, não tem mentalidade científica, pois está procedendo apenas emocionalmente, não analiticamente. E quanta gente há, por aí, que procede assim, apesar de possuir currículos universitários?... Há pessoas que são muito rigorosas noutros campos de pesquisa, mas quando entram no campo mediúnico procedem mais como místicos do que propriamente como homens de ciência. Não basta, portanto, ter a formação científica dos livros ou dos cursos de Universidade, é preciso ter atitudes científicas diante dos fenômenos. E é o que muita gente não tem. Há pessoas, no entanto, que não fizeram uma cultura científica regular, não dispõe de certos instrumentos de pesquisa, mas apresentam reações diferentes, dando a impressão de que tem muito mais espírito científico do que muitos laureados. Mas não se pode dizer que não haja, atualmente, gente capaz de realizar trabalhos científicos. Talvez essas pessoas não encontrem compreensão nem apoio para certos tipos de sessões. É outro problema. Em que sociedade, em que ambiente organizar uma sessão com médiuns preparados para determinadas experiências? Não é fácil, digamos a verdade. Por isso mesmo, e sem analisar o problema também por outros ângulos, é que algumas pessoas dizem que "o Espiritismo parou no século passado". Não parou, pois a mediunidade não se acabou, mas a preocupação científica, em grande parte, está sendo prejudicada pelas atitudes devocionais, atitudes que pretendem muito mais divinizar os espíritos e santificar os médiuns do que, a rigor, procurar a verdade pelo fio da razão esclarecida.
O problema comporta ainda outras considerações, não pode ser colocado apenas dentro de uma faixa de crítica. Aqui mesmo, no Brasil, onde o Espiritismo não ficou apenas na pura comprovação mediúnica, já se deram fenômenos de grande valor científico, mas não se fez relatório, não se deu divulgação, a bem dizer. Indiscutivelmente, nós nos descuidamos de anotar, confrontar, registrar em ata, testemunhar. Tudo isso faz parte do legítimo espírito científico, que é sempre cauteloso. Nosso temperamento geralmente não dá muito para esperar com paciência, aguardando que as primeiras impressões se confirmem. Somos indiferentes em determinadas coisas e, ao mesmo tempo, somos precipitados noutras coisas: ou não damos a devida importância a manifestações realmente significativas ou somos capazes de nos arrebatar com pouca coisa... A experiência que o diga. O lado místico, por sua vez, também pesa muito na prática mediúnica e, por isso mesmo, não é fácil imprimir uma orientação metódica em determinados grupos, ainda que haja médiuns de possibilidades aproveitáveis. A legião de sofredores é muito grande, em todas as camadas sociais, e a maior parte do públic, por isso mesmo, recorre aos "canais mediúnicos" simplesmente como fonte de consolações ou à procura de esclarecimentos imediatos para suas situações; nunca, porém, como elemento de pesquisa, com visão científica ou filosófica. Tudo isso, afinal-de-contas, deve ser objeto de consideração, pois há vários fatores confluentes no campo mediúnico. Então, voltemos ao ponto de partida: o Espiritismo não parou, mas as condições, hoje, são bem diferentes das condições em que pontificaram certos homens de ciência. Não se pode pensar em investigação científica sem pensar, necessariamente, no material humano que deve ser utilizado em trabalhos de tal natureza, muito específica e de muita complexidade.
No século passado[2] - vejamos bem - havia uma preocupação dominante, absorvente: provar ou negar a comunicação dos espíritos. Não havia outra alternativa. O Espiritismo enfrentava o desafio da ciência, muito mais relevante do que a sistemática oposição religiosa. Alguns homens de ciência entraram nesse campo exclusivamente para tirar a limpo a questão da comunicação entre vivos e mortos. Não tinham outro fito. E, por isso mesmo, empregaram todos os meios, forraram-se de cuidados especiais, amarraram médiuns, fiscalizaram sessões com vigilância implacáveis, mediram, pesaram, confrontaram, fizeram tudo. E era necessário. Chegaram às provas. A maioria deles ficou apenas no terreno experimental, deu testemunho, colocando-se corajosamente acima de preconceitos e conveniências, mas verdade é que não se dedicou à especulação filosófica, não chegou à Doutrina, em suma. Grande contribuição, indiscutivelmente, no campo experimental. Não foi o caso, entretanto, de Gabriel Delanne. Este, sim, tinha embocadura de experimentador, era homem de formação científica, mas também fez obra doutrinária, na linha intelectual de ALLA KARDEC, LÉON DENIS, por exemplo. DELANNE partiu do fenômeno, como vários outros, mas entrou na indagação, fez estudos filosóficos, tirou conclusões válidas e lúcidas. A todos, no entanto, de um lado e do outro lado, isto é, tanto do lado puramente fenomênico quanto do lado doutrinário, muito deve o movimento espírita, pois todos eles são figuras clássicas na história do Espiritismo.
De certo tempo em diante (devemos compreender bem a situação), uma vez provada e comprovada a comunicação entre vivos e mortos, naturalmente já não havia tanto interesse pelo campo experimental, diante dos depoimentos de homens de projeção científica, sem qualquer compromisso de ordem sentimental, religiosa ou doutrinária. Passou, até certo ponto, a fase das experiências objetivas, porque a própria expansão das idéias espíritas começou a provocar interesses de outra natureza, devido às necessidades humanas. Abriram-se, na realidade, dois focos de atenção: o fenômenico e o doutrinário. A divulgação da Doutrina criou a bem dizer uma polarização muito intensa, justamente porque muita gente queria mensagem, reclamava uma filosofia de vida, não se contentava somente com a prova direta das comunicações. Os estados de angústia, a desorientação espiritual, a falta de segurança interior, a deficiência de cultura religiosa, tudo isso, realmente, levou o homem, depois de algum tempo, a procurar a mensagem espírita em estado de quase sofreguidão e, por isso, deixou de se concentrar muito nas experiências científicas.
Veio, daí, a popularização do Espiritismo, trazendo certos prejuízos, é inegável, porque se desprezou muito o estudo sério, a pesquisa, o raciocínio analítico para enveredar pela simples crença nos espíritos, como que abrindo caminho para a formação de mais uma seita... Esse desvirtuamento, convenhamos, afastou certos homens afeitos a estudos científicos. Tudo isto é aceitável na consideração do problema. Há, porém, outro aspecto, e este deve ser levado em conta. É justamente o aspecto humano. O Espiritismo, hoje em dia, não é apenas um campo de experiências mediúnicas, é uma doutrina de vida, representa a solução de muitos problemas do homem moderno. As necessidades humanas vão aumentando cada vez mais, na medida em que a sociedade se torna mais complexa. E o Espiritismo, para boa parte da sociedade atual, é a "última esperança", é a grande resposta, que o homem não encontra noutras doutrinas, apesar de haver batido em muitas portas... É uma realidade diferente daquela realidade, que, na segunda metade do século XIX, viveram grandes experimentadores da fenomenologia mediúnica. Justamente por isso, o problema, não pode ser apresentado apenas por um prisma, seja qual for, mas através de vários angulos de observação, sobretudo quanto às peculiaridades de cada país. Podemos, pois, chegar a estas sumárias conclusões:
Em primeiro lugar, pelo fato de não haver, hoje, ao que conste, experiências do tipo de Crookes, Geley, Lombroso e outros, isto não significa que não haja médiuns nem tampouco nos permite concluir que o ciclo experimental do Espiritismo tenha deixado de ser necessário;
Em segundo lugar, se é verdade, até certo ponto, que a falta de interesse pela investigação científica é prejudicial à compreensão e ao conceito do Espiritismo, também é verdade que o homem atual é absorvido por uma série de problemas prementes e, por isso, o aspecto doutrinário tem, para ele, maior interesse no momento, por causa da mensagem, que vai ao sentimento, aliviando as feridas da alma.
De tudo isso, afinal, podemos inferir que é necessário encarecer e estimular as pesquisas, a experiência científica, que teve sua razão de ser no século passado[2] e ainda se faz indispensável nos dias atuais, mas não devemos perder de vista o lado verdadeiramente humano do Espiritismo diante do sofrimento e da profunda decadência moral que se observa em todos os níveis sociais. Não nos esqueçamos de que o Espiritismo atende, ou deve atender, ao mesmo tempo, a necessidades diversas: necessidades científicas, necessidades sociais, necessidades emocionais e assim por diante.
Observações do GEAE:
[1] Deolindo Amorim escreveu este texto em 1974 assim ele se refere ao período que vai das últimas décadas do século XIX ao início do XX.
[2] Século XIX
Domingo, Janeiro 29, 2006
O Espiritismo e a Investigação Científica
Sábado, Janeiro 28, 2006
Algumas lembranças...
Este texto, elaborado pelo nosso amigo Cláudio Silva (Aleph), possui uma excelente análise
do desenvolvimento do espiritismo no Brasil. Foi disponibilizado originalmente
na comunidade "Espiritismo Ortodoxo", do Orkut, em um debate acerca do emprego
do termo "Ortodoxo", equivocado no ponto de vista de algumas pessoas, mas
apropriado em nosso entender por tomarmos por base a busca da coerência para com
os principios doutrinários em detrimento de tantas inovações que foram
implementadas no correr dos anos, sem nenhum embasamento na metodologia da
Doutrina Espirita, que determina os mecanismos para sua evolução e aceitação de
novos fatos ou paradigmas.
Abaixo, a transcrição ipsis literis do texto elaborado pelo Aleph
Algumas lembranças...
Vejam...
O movimento espírita foi calcado sobre uma instituição intelectual: a Sociedade Espírita de Estudos Parisienses. Com ela, a produção da Revista Espírita, que tinha um carater psicológico (não confundir com Psicologia Espírita, nada a ver pois esta nem existe).
É inegável a cultura que aqueles homens tinham e, a superlativa capacidade de compreensão da doutrina em relação a massa que hoje adorna as instituições espíritas.
Alguns anos mais tarde, em 1867, quando o Espiritismo chegou na Bahia, em Salvador - Pelourinho, com Luiz Olímpio Teles de Menezes e o Grêmio Familiar Espírita, surge um outro tipo de formatação do movimento espírita. O grupo de estudo doutrinário e as primeiras comunicações (inclusive de pseudo-sábios). Um célebre caso do "anjo de Deus" motivou Kardec a enviar uma carta-resposta a esta associação (vide A História do Movimento Espírita na Bahia de Lúcia Loureiro).
A forma de publicação foi o jornal, o Eco de Além Túmulo, uma espécie de informativo, com artigos respostas as acusações da Igreja a doutrina espírita e as atividades do Grêmio.
Apartir de 1875, Bezerra de Menezes passa a se envolver com o Espiritismo, no rio de Janeiro e cria o Centro Espírita, com o seu Curso de Desenvolvimento Mediúnico.
A tônica de Bezerra neste processo, foi totalmente diferente. Apesar dele incitar o estudo da doutrina, as pessoas iam fascinadas pela mediunidade. É importante lembrar que o Rio de Janeiro foi um dos focos mediúnicos mais intensos do Brasil (assim como Salvador), devido as vertente africanista mediunista (Candomblé).
Houve um bolo ou salada de frutas entre o Candomblé e o Espiritismo, a ponto de em 1905, no Rio de Janeiro, surgir a Umabanda, que comumente se chama de mesa branca. A ênfase na mediunidade e nos espíritos nativos foi muito intensa.
Isto chamou muitos estudiosos do espiritismo a atenção, inclusive Deolindo Amorim, que publicou Espiritismo e Africanismo.
Destes estudos, Deolindo fez questão de frizar em suas obras, a necessidade de se criar um Instituto de Cultura Espírita que pudesse estudar algumas questões concernentes a antropologia e a doutrina espírita.
Esta instituição teria aspecto eminentemente de estudo e se voltaria para aspectos de desenvolvimento e desdobramento da doutrina espírita nos seus aspectos filosóficos, científicos e religiosos, buscando oferecer elementos de compreensão sob o âmbito antropológico.
Mais adiante, a reunião das seguintes instituições: Sinagoga Espírita Nova Jerusalém, a União Federativa Espírita Paulista, a Federação Espírita do Estado de São Paulo e a Liga Espírita do Estado de São Paulo, organizaram-se em 1946 no inutuito de formar a União Social Espírita ou USE, visando unificar o movimento espírita.
Surge o (famigerado) federativismo espírita, com o intuito claro de uniformizar as bases do movimento espírita.
Aonde eu quero chegar com isto?
Tanta diversidade de casas e pensamentos sobre a doutrina espírita levariam o movimento espírita a divergir entre si, sobre as bases de uma ortodoxia. Vejam que as bases do que se pensa ser a doutrina espírita versam sobre:
Aparentemente tais modelos são conciliáveis, mas na prática não o são.
As bases de estruturação de progressão e pesquisa do espiritismo modifica entre elas, quando uma dá ênfase ao fenômeno e outra dá ênfase a doutrina.
A federação espírita distoa de todas, pois enfatiza o movimento espírita, que por si só é completamente dispare.
Precisaríamos de diretrizes para estruturar o movimento espírita... Elas estão ditas no Livro dos Médiuns capítulo XXIX.
Extrairem dois itens que gosto muito.
Rivalidades entre as Sociedades
348. Os grupos que se ocupam exclusivamente com as manifestações inteligentes e os que se entregam ao estudo das manifestações físicas têm cada um a sua missão.
Nem uns, nem outros se achariam possuídos do verdadeiro espírito do Espiritismo, desde que não se olhassem com bons olhos; e aquele que atirasse pedras em outro provaria, por esse simples fato, a má influência que o domina. Todos devem concorrer, ainda que por vias diferentes, para o objetivo comum, que é a pesquisa e a propaganda da verdade.
Os antagonismos, que não são mais do que efeito de orgulho superexcitado, ornecendo armas aos detratores, só poderão prejudicar a causa, que uns e outros pretendem defender.
349. Estas últimas reflexões se aplicam igualmente a todos os grupos que porventura divirjam sobre alguns pontos da Doutrina. Conforme dissemos, no capítulo Das Contradições, essas divergências, as mais das vezes, apenas versam sobre acessórios, não raro mesmo sobre simples palavras. Fora, portanto, pueril constituírem bando à parte alguns, por não pensarem todos do mesmo modo. Pior ainda do que isso seria o se tornarem ciosos uns dos outros os diferentes grupos ou associações da mesma cidade. Compreende-se o ciúme entre pessoas que fazem concorrência umas às outras e podem ocasionar recíprocos prejuízos materiais.
Não havendo, porem, especulação, o ciúme só traduz mesquinha rivalidade de amor-próprio.
Como, em definitiva, não há sociedade que possa reunir em seu seio todos os adeptos, as que se achem animadas do desejo sincero e propagar a verdade, que se proponham a um fim unicamente moral, devem assistir com prazer à multiplicação dos grupos e, se alguma concorrência haja de entre eles existir, outra não deverá ser senão a de fazer cada um maior soma de bem.
As que pretendam estar exclusivamente com a verdade terão que o provar, tomando por divisa: Amor e Caridade, que é a de todo verdadeiro espírita. Quererão prevalecer-se da superioridade dos Espíritos que as assistam? Provem-no, pela superioridade dos ensinos que recebam e pela aplicação que façam deles a si mesmas. Esse o critério infalível para se distinguirem as que estejam no melhor caminho.
Alguns Espíritos, mais presunçosos do que lógicos, tentam por vezes impor sistemas singulares e impraticáveis, à sombra de nomes veneráveis com que se adornam. O bom-senso acaba sempre por fazer justiça a essas utopias, mas, enquanto isso não se dá, podem elas semear a dúvida e a incerteza entre os adeptos. Daí, não raro, uma causa de dissentimentos passageiros.
Além dos meios que temos indicado de as apreciar, outro critério há, que lhes dá a medida exata do valor: o número dos partidários que tais sistemas recrutam. A razão diz que, de todos os sistemas, aquele que encontra maior acolhimento nas massas, deve estar mais próximo da verdade, do que os que são repelidos pela maioria e vêem abrir caros nas suas fileiras.
Tende, pois, como certo que, quando os Espíritos se negam a discutir seus próprios ensinos, é que bem reconhecem a fraqueza destes.
Como surgiria então uma ortodoxia? Inicialmente através da estruturação das atividades mediúnicas.
346. Os trabalhos de cada sessão podem regular-se conforme se segue:
- Leitura das comunicações espíritas recebidas na sessão anterior, depois de passadas a limpo.
- Relatórios diversos.
- Correspondência.
- Leitura das comunicações obtidas fora das sessões.
- Narrativa de fatos que interessem ao Espiritismo.- Matéria de estudo.
- Ditados espontâneos.
- Questões diversas e problemas morais propostos aos Espíritos.
- Evocações.- Conferência.
- Exame crítico e analítico das diversas comunicações.
- Discussão sobre diferentes pontos da ciência espírita.
Depois, pela unificação da metodologia de análise da comunicação. Para isto, lanço mão da introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo
"Sabe-se que os Espíritos, em virtude da diferença entre as suas capacidades, longe se acham de estar, individualmente considerados, na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que o saber de cada um deles é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares mais não sabem do que muitos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e sofômanos, que julgam saber o que ignoram; sistemáticos, que tomam por verdades as suas idéias; enfim, que só os Espíritos da categoria mais elevada, os que já estão completamente desmaterializados, se encontram despidos das idéias e preconceitos terrenos; mas, também é sabido que os Espíritos enganadores não escrupulizam em tomar nomes que lhes não pertencem, para impingirem suas utopias.Ortodoxia do do latim orthodoxu e do grego orthódoxos, que está com a opinião, do grego doxa.
Daí resulta que, com relação a tudo o que seja fora do âmbito do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um possa receber terão caráter individual, sem cunho de autenticidade; que devem ser consideradas opiniões pessoais de tal ou qual Espírito e que imprudente fora aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas.
O primeiro exame comprobativo é, pois, sem contradita, o da razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudo o que venha dos Espíritos. "
Uma ortodoxia propiciaria saber o conteúdo, a essência pela qual um conhecimento se estrutura de forma a se tornar "senhor" dele.
A ortodoxia espírita precisaria se ajustar então, a forma como as casas espíritas se organizam, sem perder de vista os princípios da: universalidade e da concordância.
Isto seria o que Thomas Khum propõe de núcleo irredutível de uma ciência.
O núcleo irredutível do Espiritismo seriam os princípios básicos:
O núcleo irredutível da doutrina espírita não seriam dogmas, mas princípios pelos quais diferenciariam o Espiritismo das demais doutrinas espiritualistas. Isto é amplamente discutido por Kardec na Introdução de o Livro dos Espíritos e, propicia uma referência de como se estruturar o movimento espírita.
Para cada tipo de organização seria necessário um tipo de ortodoxia?
Obviamente não... Mas, os procedimentos e ou, técnicas necessárias para estruturá-la em cada modalidade de instituição, levariam a mostrar que para cada uma delas, seriam necessários procedimentos específicos.
Por exemplo...
- Para uma instituição com bases mediúnicas, haveria necessidade de um núcleo federativo que concatenasse as comunicações e estudasse-as, antes de publicá-las como obras.
Elas seriam estruturadas como os editores de livros, que os analisam e criticam exaustivamente, até chegar a um ponto de concordância.
Obviamente, isto levaria os romances a passar mais tempo de espera. - As instituições de cultura e pesquisa espírita, necessitaria de fóruns e simpósios que levassem as suas descobertas e pesquisas, de forma a divulgarem efetivamente seus trabalhos.
Desta forma, a "Ciência Espírita" afloraria, porque somente através da publicação séria de pesquisas e realização de simpósios abalizados, é possível surgir um aciência. - As instituições doutrinárias também necessitariam publicar artigos em fóruns específicos, dando uma conotação pluralistas ao termo "ortodoxia espírita"
Esta organização, em específico, deveria fazer frente as interfaces da doutrina espírita com outros pensamentos espiritualistas.
Este item em particular me chama mais atenção, por que tem a ver com a transdisciplinaridade da doutrina Espírita. O Espiritismo é uma chave mestra para um mundo bem maior a ser encontrado em outras doutrinas mais antigas (vide O Livro dos Fluidos).
Well...
Com isto, acho que redimo-me das meras críticas e passo para as propostas.
Paz profunda, sincera e fraternal.
PS:. Espero que alguém tenha tido coragem de ler até o final.
Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
Tentativas de invasão
Provavelmente alguem que se julga na condição de "arauto da ética" vem tentando invadir esse blog. Lamentável que falte espelho para se ver o mau-caratismo estampado na face dessa pessoa.