Acabei de pegar em mãos o recem-lançado "Mediunidade e Animismo", de Odilon Fernandes, psicografado por Carlos A. Bacceli. Devo confessar de antemão que é um livro do tipo de literatura que me agrada, definitivamente dou preferência a leitura instrutiva no lugar de romances que muitas vezes ficam apenas no "agua com açucar", embora também alguns transmitam nas entrelinhas instruções aplicáveis à vida.
É um livro pequeno, que traz em 509 perguntas e respostas um panorama sobre os mecanismos da mediunidade, e também abordando questões particulares do dia a dia dos médiuns.
Fiz uma rápida leitura e muito me agradou o livro, agora resta reler com maior atenção para poder confirmar a opinião, tenho certeza de que não me decepcionarei, tanto que até já arrisco a indicar esse livro como sendo um excelente material para estudo complementar daqueles que estejam em algum curso regular de Espiritismo, ou que tenham o desejo de se aprofundar nesse assunto.
As respostas de Odilon são concisas e objetivas, outra caracteristica que eu gosto. Em alguns casos a objetividade pode parecer contrária a algumas posturas que vemos, na qual algumas pessoas fazem verdadeiros malabarismos mentais para tentar justificar algo que poderia ser mais simples. Ah! a simplicidade! Quanto mais a perseguimos parece que mais ela se afasta... deixemos de persegui-la então e a tenhamos como constante companheira de nosso dia a dia.
Na página 108, questão 315 que abaixo transcrevo, temos o seguinte:
315 - Doutrinariamente, todavia, não existe muita coisa contraditória?
- Os espíritos, como os homens, têm as suas opiniões, que não devem ser acatadas antes de devidamente analisadas. Nem tudo o que se produz mediunicamente é espírita.
Algo simples, direto, objetivo, conciso, nem um pouco diferente daquilo que encontramos na Codificação, mas que parece ser solenemente ignorado por uma significativa parcela do Movimento Espírita que acata mais pelo nome do que pelo conteúdo.
490 - Mediunidade e animismo?
- Impossível que um existisse sem o outro.
491 - Portanto?...
- O animismo, como se convencionou conceber não existe. É um mito que precisamos nos empenhar para demolir.
492 - O médium assume as caracteristicas do espírito ou é o inverso?
- A água sempre toma a forma do recipiente em que se derrama, o que não a impede de preservar as características que lhe são peculiares.
E o fechamento do livro, a última questão é magistral em minha opinião...
509 - Um recado aos companheiros espíritas?
- O mesmo do Espírito da Verdade: "Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instrui-vos, eis o segundo.
Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
Sugestão literária: Mediunidade e Animismo
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
Retomada do Controle Universal, um esboço
Este texto pretensioso pretende traçar apenas um esboço, uma sugestão de como poderíamos retomar a utilização da Metodologia Espírita, o Controle Universal do Ensino dos Espíritos.
Antes de mais nada devemos compreender que pela ausência de utilização, alguns cuidados básicos deveriam ser tomados objetivando evitar tentativas de fraudes e garantindo que as opiniões coletadas não sejam afetadas por componentes anímicos, mas representem unicamente a opinião dos espíritos através dos médiuns. Para garantirmos esse requisito, seria interessante adotarmos pelo menos nas primeiras rodadas um "teste cego".
Como isso funcionaria:
- Elaborar um aplicativo (de preferência através da web) para armazenar questões a serem enviadas por colaboradores.
- Deveria ser elaborado um cadastro de interessados em participar deste exercício. Receberiam as instruções de como proceder para a realização dos testes.
- As questões seriam selecionadas aletóriamente e impressas. Essas impressões seriam armazenadas em envelopes lacrados, os quais seriam embaralhados e receberiam etiquetas indicando os destinatários.
- Recebendo os envelopes lacrados, os destinátarios teriam um prazo previamente definido para responder as questões, sem a possibilidade de violarem o lacre dos envelopes. A leitura dos documentos ficaria a cargo dos espíritos, que o fariam sem necessitarem romper o lacre.
- As respostas deveriam ser armazenadas em um outro envelope, a ser lacrado e identificado através de um código, por exemplo uma etiqueta com um código de barras, o mesmo do envelope de perguntas. Os envelopes com as respostas e perguntas deveriam ser entregues pessoalmente ou através do serviço do correio ao grupo responsável pela digitação das informações, sendo que este grupo disporia de duas equipes para recepção dos envelopes, uma cuidando dos envelopes com perguntas e outra cuidando dos envelopes com respostas.
- Envelopes que apresentassem indicios de que o lacre foi violado deveriam ser descartados imediatamente.
- A equipe responsável pelo envelope com as respostas deveria efetuar a digitação das mesmas, apenas indicando um código que vincularia o médium, sendo preservada sua privacidade e identidade. O mesmo faria a equipe responsável pelo envelope com as perguntas.
- Após a digitação das perguntas e respostas, deveria ser feita a impressão do conjunto, para uma triagem inicial que teria por objetivo descartar incoerências, por exemplo a pergunta é sobre alguma característica da biologia e a resposta é um tratado de filosofia. Por melhor que seja o conteúdo da resposta, estaria incoerente com a pergunta formulada, portanto deveria ser descartado.
- Deveria ser estabelecido um índice para se aceitar os descartes, por exemplo, se o volume de descartes for igual ou superior a 25% de todas as perguntas, deveria ser cancelado o teste e ser feita uma nova rodada, sendo que três rodadas consecutivas descartadas indicariam o cancelamento de qualquer tentativa posterior, ou refinamento da seleção dos participantes.
- O material que houvesse passado pela primeira triagem deveria ser objeto de uma leitura mais acurada, com o consequente cruzamento de resultado através de um sumário a ser apresentado pelos responsáveis de tal leitura. O material ficaria disponível para uma auditoria aleatória para se verificar eventuais manipulações por parte destas pessoas.
- As perguntas identicas teriam seus sumários comparados buscando uma universalidade.
- Poderia ser estabelecido um indice para aceitacao de divergência.
- Os resultados deveriam ser publicados, preferencialmente através de um web-site e também em meio impresso ou magnético para distribuição aos interessados.
Metodologia previne males
De todos os problemas que comumente encontramos nos Centros Espiritas e entre os Espíritas, o desconhecimento de que a Doutrina possui uma Metodologia para seu desenvolvimento parece ser o mais complexo. Alguns até atestam conhecer, entretanto elencam uma infinidade de justificativas para que não se utilize desta metodologia, o que ao meu ver soa como um contra-senso uma vez que não se trata de uma invenção de alguem com objetivo de auto-promoção, mas sim um ferramental elaborado quando da Codificação da Doutrina visando mantê-la isenta de personalismos e garantir um minimo de coerência e fundamentação nas assertivas que a compõem.
Acredito que um benefício imediato ao retomarmos a Metodologia, seria a interrupção de um processo de agressões melífluas e também de críticas a maior parte das vezes sem uma fundamentação outra que não seja a opinião isolada do autor. Assuntos polêmicos que provocam celeuma e até mesmo cisão em alguns organismos seriam mais facilmente tratados com um embasamento de cunho metodológico, não representando a verdade absoluta sobre o assunto, sujeita portanto a mudanças com o passar do tempo e com a melhor capacitação dos envolvidos na discussão do assunto.
Muitos motivos são apresentados como justificativa para as dificuldades na retomada do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, entretanto creio que todas pecam pela presunção de uma superioridade que teríamos àquele que foi cognominado de "o bom-senso encarnado". Dentre estes motivos poderíamos citar:
- Quem teria capacidade moral e intelectual para assumir este trabalho?
- Não seriam pretensos novos Kardecs os que buscam tal retomada?
- Quem centralizaria este trabalho?
- Como este trabalho seria feito?
- Como evitar a interferência anímica?
- Como falar em universalidade se hoje estamos restritos praticamente ao Brasil?
- etc.
O que você pensa a respeito disso? Quais são as críticas que você tem contra ou a favor da retomada da Metodologia Espírita? Você sabia que a Doutrina Espírita possui uma Metodologia? Escreva-nos!