Sábado, Abril 28, 2012

Dos comentários ofensivos

Eventualmente recebemos comentários ofensivos, de cujo conteúdo poupamos nossos leitores ocasionais. Entretanto, alguns desses comentários são da mesma natureza daquilo que criticamos no "espiritismo brasileiro". Vejamos um caso; começa o autor do comentário afirmando:
"Quando a criatura humana se sente capaz de tudo explicar, a partir de suas próprias capacidades cognitivas, soa infantil, presunçoso, ingênuo e tolo."
Para que na sequencia ele se dê ao trabalho de tudo explicar demonstrando que o ele, o autor do comentário, se diferencia do resto da humanidade (ou seja, quem não pensa como ele pensa), que é infantil, presunçoso, ingênuo e tolo.

É exatamente esse tipo de ausência de coerência que criticamos e que pode ser encontrado em tantos e tantos textos do "espiritismo brasileiro".


Segunda-feira, Janeiro 09, 2012

Comentários ou agressões?

Boa parte dos comentários segue o modelo instituido de "agressão melíflua", ou seja, aquela agressão travestida de boa intenção. Sempre começa com um elogio para em seguida destilar veneno, como por exemplo "muito inteligente cada observação mas lhes falta capacidade para entender o pensamento de" seguido pelo nome de algum dos pretensos novos Kardecs.

Talvez o maior problema seja que as pessoas olham para uma doutrina filosófica como se estivessem olhando para um jogo, para uma partida, e passam a defender apaixonadamente o time para o qual torcem, representado pelo nome de alguem que entendem ser a ultima bolacha (ou biscoito) do pacote.

Talvez se compreendessem que uma reflexão filosófica não comporta torcidas, as coisas seriam bem melhores por aqui na Terra Brasilis.

Quarta-feira, Fevereiro 23, 2011

Doutrina Espirita na passarela

Alguns espiritas e ate mesmo alguns Centros Espirita andam se exaltando ultimamente com a escolha de uma escola de samba no RJ: Homenagear a Doutrina Espirita.

Legitima e' a reclamacao, bem fundamentada a exaltacao, mas cabe aqui um parenteses, uma analise mais aprofundada sobre o por que chegamos a isso, afinal de contas, nao foi estalo de momento na cabeca de algum carnavalesco, isso e' coisa que vem sendo semeada e adubada faz decadas por um movimento espirita que sequer conhece a Doutrina Espirita. Resta-nos perguntar onde estavam esses espiritas, onde estavam esses Centros, a que especie de letargia ou coma estavam submetidos?

Pois bem, esses mesmos espiritas, em sua imensa maioria, estavam ocupados arando, semeando e adubando esse tipo de inversao de valores. Estavam preocupados em defender modismos sem fundamentacao doutrinaria, estavam ocupados em propagar que quem se preocupava com a Doutrina Espirita, nao passava de um bando de "obsediados", de um bando de pessoas que nao se preocupavam com a caridade, fazendo uso de "agressoes melifluas", de falsidade, para eliminar, erradicar a coerencia doutrinaria.

Mas agora preocuparam-se. Agora lhes incomodou pois isso vai de encontro ate mesmo as parvoices que defendiam com unhas e dentes. Nao se preocupem, isso e' apenas a ponta do iceberg que voces vem cultivando a tempos.




Esse texto nao tem a pretensao de esgotar o assunto, mas apenas trazer um ponto de vista a ser elaborado, completado por todos aqueles que nao estavam em letargia nos ultimos anos, e que estavam de fato se preocupando com a coerencia doutrinaria.

Sábado, Janeiro 17, 2009

Manifesto Ortodoxo (1a release)

Este texto, disponibilizado por nosso companheiro Rodrigo Watzl não assume caráter definitivo, mas com certeza fornece um excelente norte para reflexão, aprofundamento e elaboração de um manifesto mais completo, portanto opiniões são extremamente bem vindas quer aqui ou na comunidade "Espiritismo Ortodoxo" do Orkut.




MANIFESTO ORTODOXO

O presente manifesto é o resultado da experiência de muitos anos de vários colegas dentro do movimento espírita brasileiro e da percepção comum dos inúmeros problemas que o assolam, sem que a grande maioria dos espíritas disso se aperceba.

É público e notório: as casas espíritas brasileiras (não todas), embora mantenham em suas dependências “cursos básicos”, os quais versam sobre as obras básicas organizadas por Kardec, não dispõem de espíritas suficientemente esclarecidos e versados nas obras cujo conteúdo pretendem transmitir. Isso quando, de fato, há tais cursos básicos. Além disso, vêem-se as mais absurdas distorções propagadas por encarnados a respeito dos ensinos dos espíritos superiores.

De tal forma que não seria exagero dizer que, hoje, vêm-se defensores de “emmanuelismos”, “andre-luisismos”, “divaldismos”, “chiquismos”, “roustanguismos”, “ramatismos” e todo tipo de “ismos” e seus adeptos e responsáveis diretos. Tudo, menos defensores do espiritismo.

Os que se insurgem contra tal estado de coisas, e que ousam pôr em xeque a “autoridade inquestionável dos mentores espirituais e dos médiuns que os psicografaram” logo recebem a pecha de “obsedados”. Isso, quando não são sumariamente expulsos das instituições que frequentam.

O Centro Espírita (que, na verdade, deveria ser chamado de “Sociedade Espírita”) foi, assim, transformado em uma verdadeira igreja. E a consequência é a igrejificação do movimento espírita brasileiro, sob a égide desses “ismos”, que, seguramente, nenhum espírito bem intencionado pretendeu estabelecer.

Quem quer que se digne de observar o movimento espírita brasileiro por tempo suficientemente longo vai perceber, portanto, que muitas casas ditas espíritas, de espíritas têm apenas o letreiro.

É contra este estado de coisas que nos insurgimos. E o presente manifesto tem por objetivo divulgar a ortodoxia e esclarecer sua proposta. A única ferramenta que, assim entendemos, será capaz de retomar o espiritismo tal como ele jamais deveria ter deixado de ser.


1. O que é a Ortodoxia.

“Ortodoxia”, segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa significa:
* substantivo feminino; 1. caráter ou condição de ortodoxo; 1.1 conformidade absoluta com um certo padrão, norma ou dogma; 2. Derivação: por extensão de sentido. Interpretação, doutrina ou sistema teológico implantado como único e verdadeiro pela Igreja; dogmatismo religioso. Ex.: o. católica; 3. Uso: informal, pejorativo: intolerância com relação ao que é novo e diferente.

Filiamo-nos às acepções 1 e 1.1., qual seja, “conformidade absoluta com um certo padrão, norma ou dogma”, retirando desta a palavra “dogma”, e desconsiderando todas as demais significações. A razão é simples: por imperativos de coerência e de honestidade intelectuais, algo somente pode fazer parte de um sistema se se adequa a ele. Assim, por exemplo, quem quer que defenda a propriedade privada dos meios de produção não pode ser considerado marxista, nem seu pensamento enquanto tal. Pela mesma via, ninguém pode se considerar espírita, nem considerar seu pensamento enquanto tal, se defende, por exemplo, uma “encarnação fluídica” de Jesus. Um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar. O que nos leva ao primeiro sub-tópico.


1.1. Ortodoxia enquanto coerência doutrinária.

Desta forma, o sentido que damos à ortodoxia é o da coerência doutrinária. Uma observação atenta das obras “espíritas” vendidas em muitos centros demonstra bem a dimensão do problema. Vêem-se espíritas falando, com ar sério e circunspecto, a respeito de teses mediúnicas, como, por exemplo, “planeta chupão”.

Em função dos muitos anos de observação do movimento espírita, podemos dizer que, geralmente, qualquer comunicação, desde que seja mediúnica e respaldada por nomes respeitados (de encarnados ou não), é prontamente aceita. Recebe um “selo de qualidade espírita”. Por outro lado, esses mesmos espíritas, com a mesma circunspecta autoridade, proferem uma sentença sem apelação: “ ‘espiritismo’ é ciência, filosofia e religião”. De se perguntar o sentido que emprestam aos termos ciência e filosofia. E, no entanto, o movimento espírita ainda se dá o direito de se magoar com o fato de a quase totalidade dos cientistas e filósofos verem no “espiritismo” apenas pseudociência e pseudofilosofia, respectivamente; temas indignos de sua atenção.

A tudo isto denominamos falta de coerência doutrinária, em que pese não implicar nenhum julgamento do caráter pessoal de quem assim pensa.

Portanto, uma vez que a ortodoxia espírita é simplesmente o outro nome que se dá à coerência doutrinária espírita, e que essa mesma doutrina propugna pelos avanços do conhecimento, nada mais natural do que ser abordado agora o CUEE, isto é, a metodologia legada ao espiritismo por Kardec.


1.2. O Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos – CUEE e a ortodoxia.

CUEE é a abreviação de Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos. Trata-se simplesmente do seguinte: a aplicação da metodologia desenvolvida por Kardec quando da elaboração das obras básicas, metodologia esta que consiste na apreciação de diversas mensagens mediúnicas transmitidas por diversos médiuns desconhecidos uns dos outros e separados geograficamente, observados os critérios previstos em “O Livro dos Médiuns” quanto à apreciação da qualidade das mensagens, e do caráter dos médiuns utilizados para transmiti-las, além, obviamente, dos espíritos que se comunicam (e, conforme os critérios do OLM, a probabilidade de serem quem dizem ser), bem como observada a estatística de concordância quanto ao conteúdo dessas mesmas mensagens entre si, sejam elas obtidas espontaneamente ou não.

Paralelamente ao CUEE: a utilização do método científico, para a aferição da possibilidade de a mensagem ser de uma inteligência alheia a do médium, bem como a análise do próprio conteúdo, caso verse sobre algum tema científico; e a utilização do “crivo da razão” (que é parte da metodologia), tão mencionado por Kardec, e que consiste em aferir a razoabilidade dos ditados mediúnicos, minimizada a possibilidade de puro e simples animismo do médium.

São tais os instrumentos que possibilitam evitar erros crassos, como “planetas chupões”, “encarnações fluídicas”, vida em Marte, apesar do apreço ligado ao médium e ao espírito supostamente comunicante.

O que implica acabar, de uma vez por todas, com a idolatria mediúnica e o igrejismo vigentes no movimento espírita brasileiro nos dias presentes. O que nos leva ao tópico seguinte.


1.3. O método científico e a ortodoxia.

A ciência é feita a partir de fatos. Em linhas gerais, o método científico consiste no seguinte: observa-se um fato. Observado esse fato, elabora-se uma hipótese para explicá-lo. Em seguida, elaborada a hipótese, formula-se um teste para aferir se ela, hipótese, é falseável. De tal forma que várias hipóteses podem ser formuladas, inclusive posteriormente, para explicar o mesmo fenômeno e, ainda assim, serem falseáveis.

O que significa dizer que as hipóteses falseáveis não são explicações definitivas.

Em outras palavras, a ciência é um tipo de conhecimento autocorretivo. São sofismas dos mais graves dizer, como comumente se diz no movimento espírita brasileiro, que “a ciência ainda não provou a existência do espírito ou de Deus”, ou que “nossa ciência ainda está muito atrasada para compreender certas coisas”, ou, ainda, que “a ciência diz uma coisa hoje, amanhã diz outra”, como forma de rebater as objeções que são feitas a muitas obras (a despeito do médium e do espírito) de conteúdo, no mínimo, duvidoso.

A respeito destes sofismas, que são os mais comuns no MEB, cumpre dizer o seguinte:

- “A ciência ainda não provou a existência do espírito ou de Deus”:

Ao contrário do que erroneamente se crê no MEB, não compete à ciência “provar a existência” de Deus ou dos espíritos. Deus é absolutamente irrelevante para a ciência, uma vez que esta não dispõe mesmo de instrumentos metodológicos para tanto.

Quanto a provar a existência do espírito, é preciso esclarecer o espírito nada mais é do que uma hipótese para os fenômenos que o espiritismo estuda. A que consideramos, sob o aspecto científico, a mais provável. Além disso, ainda que se admitisse esse “argumento”, ele cai por terra pela seguinte razão: geralmente ele é usado em combinação com outras hipóteses tidas como não provadas. É comum se dizer: “você diz que ‘x’ não foi provado, mas ‘y’ também não foi”. Como se uma proposição, e o fato de não ter sido falseada, tivesse qualquer relação com a outra, igualmente não falseada.

O que significa dizer o seguinte: não se pode considerar uma proposição como não provada, utilizando outra que igualmente não o foi; nem provar algo com “o algo” a ser provado.

- “nossa ciência ainda está muito atrasada para compreender certas coisas”:

Outro sofisma, porque o propósito da ciência é, justamente, entender. Usa-se esta assertiva alternativamente sofisma descrito acima e com a mesma finalidade.

- “a ciência diz uma coisa hoje, amanhã diz outra”:

Evidentemente, uma vez que a ciência, ainda que envolva elementos subjetivos de análise, não é religião. Como anteriormente mencionado, a ciência é um tipo de conhecimento autocorretivo em que as hipóteses vão se sucedendo na eterna busca pela verdade. O “argumento” acima é a demonstração cabal do absoluto desconhecimento a respeito da ciência e de seu método.

Assim sendo, o método científico, além do CUEE, apesar de serem indispensáveis para o espiritismo, são abandonados, preferindo-se, em seu lugar, obras mediúnicas que, as mais das vezes, não atendem os mínimos rigores filosóficos ou científicos. Além de não terem sido respaldados pelo CUEE.

O que nos leva a indagar a respeito do valor dessas obras no subitem seguinte.


1.4. O valor das demais obras posteriores à codificação.

A filosofia e a ciência têm seus métodos. O que quer que não siga estes métodos pode ser considerado qualquer coisa, menos ciência ou filosofia. Com o espiritismo não pode ser diferente. Mais uma vez, evoca-se o princípio da coerência como suporte. Assim, qualquer cientista que resolva dizer que consegue, por exemplo, criar uma usina de moto-contínuo, vai ser considerado, no mínimo, folclórico se não embasar sua afirmação em resultados concretos obtidos com um estudo sério, conforme a metodologia científica e passível de ser testado em qualquer laboratório do mundo, a qualquer momento, e nas mesmas condições. O mesmo ocorre com o espiritismo: o que quer que tenha sido escrito após as obras básicas, se não tiver sido objeto de estudo segundo as metodologias espírita e científica, não passa de uma opinião pessoal de tal ou qual espírito e/ou médium, por mais respeitáveis que possam ser.

Não se pretende atribuir valor nulo a tais opiniões. Longe disso. Pretende-se, isso sim, conferir-lhe seu justo valor, qual seja, o de uma mera opinião pessoal, seja ela de Chico Xavier, Emmanuel, André Luís, Bezerra de Menezes, Divaldo Franco, entre outros, restando, assim, rejeitada a falácia do argumento “ad verecundiam”.

Tal falácia é um dos instrumentos da igrejificação do movimento. Igrejificação esta que buscamos reverter.


2. A advertência de Kardec como suporte para a ortodoxia.

Segue um excerto de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, introdução - II - Autoridade da Doutrina Espírita. Controle universal do ensino dos Espíritos:

“(...) Não será à opinião de um homem que se aliarão os outros, mas à voz unânime dos Espíritos; não será um homem, nem nós, nem qualquer outro que fundará a ortodoxia espírita; tampouco será um Espírito que se venha impor a quem quer que seja: será a universalidade dos Espíritos que se comunicam em toda a Terra, por ordem de Deus. Esse o caráter essencial da Doutrina Espírita; essa a sua força, a sua autoridade. Quis Deus que a sua lei assentasse em base inamovível e por isso não lhe deu por fundamento a cabeça frágil de um só.

Diante de tão poderoso areópago, onde não se conhecem corrilhos, nem rivalidades ciosas, nem seitas, nem nações, é que virão quebrar-se todas as oposições, todas as ambições, todas as pretensões à supremacia individual; é que nos quebraríamos nós mesmos, se quiséssemos substituir os seus decretos soberanos pelas nossas próprias ideias. Só Ele decidirá todas as questões litigiosas, imporá silêncio às dissidências e dará razão a quem a tenha. Diante desse imponente acordo de todas as vozes do Céu, que pode a opinião de um homem ou de um Espírito? Menos do que a gota d’água que se perde no oceano, menos do que a voz da criança que a tempestade abafa.

A opinião universal, eis o juiz supremo, o que se pronuncia em última instância. Formam-na todas as opiniões individuais. Se uma destas é verdadeira, apenas tem na balança o seu peso relativo. Se é falsa, não pode prevalecer sobre todas as demais. Nesse imenso concurso, as individualidades se apagam, o que constitui novo insucesso para o orgulho humano. (...)”

Kardec, expressamente, nos exorta à coerência. Explica que o ensino deve ser concorde. Que as opiniões dos espíritos, sem a chancela da concordância universal (que é a da maioria, e considerados os critérios de O Livro dos Médiuns) nada mais são do que opiniões pessoais.

Kardec nos deixa como critério a concordância universal. A ortodoxia, isto é, a coerência doutrinária, busca a retomada da metodologia inicial, a fim de alcançar esta concordância, ao arrepio de opiniões individuais.

Tais são nossos objetivos. E nas instruções de Kardec encontramos nosso suporte.


3. Refutações de não ortodoxos à ortodoxia, ou opiniões mais comuns de quem desconhece ou tem restrições pessoais (muitas vezes infundadas) ao assunto.

Em nossos anos de observação do MEB, pudemos perceber muita repulsa à proposta ortodoxa. Uma repulsa baseada em entendimento errôneo. Tais são os exemplos mais comuns e que serão discutidos nos tópicos subsequentes e rebatidos no item 4 (“Tréplica”).

Mas, antes, mais algumas considerações.

Os detratores da ortodoxia (e dos ortodoxos), em que pese a boa-fé demonstrada por muitos, geralmente encontram seu calcanhar de Aquiles em duas características humanas muito comuns: a teimosia e a falta de bom senso.

As dificuldades humanas, de fato, são inumeráveis. Todos temos crenças e opiniões e as defendemos da melhor maneira que conseguimos. E, no que concerne à ortodoxia, as refutações acima são defendidas muitas vezes de maneira teimosa e ao arrepio do bom senso.

Com efeito, as refutações da ortodoxia nada mais são do que prova de que ou desconhecem o seu significado, assim como o do movimento ortodoxo, ou, então, apesar das muitas explicações já apresentadas, insistem em sua visão errônea e teimosa. E a teimosia sempre nos pareceu um dos piores exemplos de falta de bom senso.

Por esta razão, não seria exagero ou tolo intelectualismo relembrar a velha lição Cartesiana, exposta com fina ironia em “O Discurso sobre o Método”, a respeito do bom senso e dos que o dizem possuir. E isso porque muito já foi exposto por nós a respeito da ortodoxia, nem sempre com estas mesmas palavras, porém com o mesmo sentido. De tal forma que, apesar de tudo, exortamos os opositores a abandonar sua teimosia e a parar com a írrita insistência em emprestar à ortodoxia significados que nunca lhe demos e que, por esta razão, nunca defendemos.

Passemos, então, às refutações.


3.1. Ortodoxia seria fundamentalismo e intolerância.

Haveria uma relação de identidade entre ortodoxia e “fundamentalismo e intolerância”. Neste caso, a palavra traria em si o germe de algumas das piores e mais comumente manifestadas características humanas.

O que nos leva ao próximo subitem.


3.2. “Ortodoxia” é uma palavra perigosa.

Costumamos ser acusados de disseminar uma palavra perigosa, que somente serviria para provocar animosidades e sectarismos entre os espíritas. Uma palavra que carregaria a maldição de defender a intolerância e a separação ente as pessoas. Além do mais vil e abjeto fundamentalismo.

O que nos leva ao próximo subitem.


3.3. Ortodoxia seria uma seita sectária dentro do MEB e contribuiria com um ideal sectário.

Em razão do suposto fundamentalismo que muitos entendem ser imanente à ortodoxia, o movimento ortodoxo seria uma seita sectária que pretenderia separar-se do movimento espírita, contribuindo com o ideal sectário.

O que nos leva ao próximo subitem.


3.4. Ortodoxia seria um contrassenso em relação a si mesma

Como o espiritismo é uma doutrina fraternal e de união entre os seres humanos, o sectarismo imanente à ortodoxia seria um contrassenso, eis que somente proporcionaria a separação entre os seres humanos.


3.5. Ortodoxia seria desabonada por Kardec.

Não haveria o aval de Kardec, em razão destas poucas palavras: “(...) Não será à opinião de um homem que se aliarão os outros, mas à voz unânime dos Espíritos; não será um homem, nem nós, nem qualquer outro que fundará a ortodoxia espírita (...)”


4. Tréplica.

Nesta parte do Manifesto organizamos nossas refutações às críticas formuladas, mostrando a falta de fundamentação e o desconhecimento daqueles que criticam nossa proposta, desaprovando-as. Esperamos, com estas refutações, torná-la mais clara, a fim de evitar-se desgaste desnecessário, este sim, perigoso.

4.1. Ortodoxia e o respeito à opinião.

Fundamentalismo e intolerância pressupõem o desrespeito à liberdade de crença e de pensamento. E a exposição do item 1, subitem 1.1, deste manifesto, no tocante à definição de ortodoxia, seria suficiente para refutar uma crítica tão mal fundamentada.

Mas, demoremo-nos um pouco mais.

Em palavras mais simples, a ortodoxia é um instrumento que permite categorizar as . Possibilita uma triagem daquilo que é e do que não é doutrina dos espíritos, sem se ater à análise qualitativa das ideias submetidas à ortodoxia. O que significa dizer que a proposta ortodoxa não é depreciar ou desrespeitar o que quer que seja, nem seus adeptos, mas sim definir se tal ideia é ou não doutrinária. Apenas isso.

Apesar de defendermos a tese de que o espiritismo não é uma religião, podemos citar o exemplo de católicos, protestantes, budistas, taoístas, etc., que procedem da mesma maneira em relação a suas ideias e nem por isso recebem a pecha de intolerantes e fundamentalistas.

Salvo o caso de se pretender aplicar dois pesos e duas medidas, onde, então, o fundamentalismo e a intolerância?


4.2. Perigo?

Há perigo na terminologia apenas para quem ignora o significado que lhe damos, ou para quem tem má vontade e teimosia em assim não entender. E talvez nada mais precise ser dito.


4.3. Ortodoxia enquanto postura pessoal não sectária e não tendente ao sectarismo.

De tudo quanto se expôs a respeito da ortodoxia, torna-se difícil levar a sério a crítica de que compomos uma seita sectária, fundamentalista e intolerante que defende um ideal tal. Isto porque o que pretendemos é a mera retomada da coerência em relação ao que o espiritismo um dia foi.

Considerada seriamente, então a mesma oposição poderia ser feita à ciência, à filosofia, bem como às religiões, eis que simplesmente não acolhem em seu seio ideias que não se submetem aos seus critérios metodológicos.

Parece difícil de compreender, mas, na verdade, é muito simples: o objetivo da ortodoxia é o de separar as ideias, não as pessoas.


4.4. Contrassenso?

Considerando o fato de que ortodoxia é apenas o outro nome que se dá à coerência doutrinária, respeitando sempre a liberdade de opinião e de crença de quem quer que seja (até porque, o fato de alguém não ser espírita não significa nada além do fato em si mesmo); considerando, ainda, que uma ideia qualquer não é má apenas pelo fato de não ser espírita (o que significa dizer que uma proposição “x” não precisa ser espírita para ser “boa”, ou “sensata”); considerando, por fim, que ser coerente com a doutrina implica perseguir a realização plena da própria natureza perfectível, é de se perguntar: onde o contrassenso?


4.5. O aval de Kardec para a ortodoxia.

O aval de Kardec está no próprio excerto copiado no item 2.

Com efeito, o que ele pretende dizer é que o movimento e a doutrina espírita não se deve apoiar apenas nas conclusões de um ou de alguns, encarnados ou não. Deve haver a concordância universal, respeitados os critérios de análise de mensagens mediúnicas definidos no OLM. E o que defendemos tem sua clareza solar neste míni excerto: “(...) Diante de tão poderoso areópago, onde não se conhecem corrilhos, nem rivalidades ciosas, nem seitas, nem nações, é que virão quebrar-se todas as oposições, todas as ambições, todas as pretensões à supremacia individual (...)”.
O que significa dizer que todas as obras que tenham a pretensão de ser complementos doutrinários devem ser submetidas à esta confirmação por parte dos demais espíritos que porventura se comuniquem.


5. Conclusão.

A ortodoxia espírita nada mais é do que a coerência doutrinária. Seus adeptos apenas buscam essa coerência por meio da análise desapaixonada de quaisquer obras mediúnicas.

Não há, nem pode haver, qualquer laivo de desrespeito a quem quer que seja pelo único e simples fato de se proceder desta maneira, apesar de algumas conclusões de alguns ortodoxos poderem provocar desconforto em alguns outros espíritas. O objetivo, entretanto, jamais será o desrespeito. Se fosse, feriria de morte a própria ortodoxia.

O que se faz necessário, em regime de urgência, sejamos ou não espíritas, ortodoxos ou não, é diálogo, entendimento, fraternidade. O verdadeiro ortodoxo busca tudo isso. O verdadeiro espírita busca tudo isso. O verdadeiro homem de bem busca tudo isso.

Não pretendemos, nem nunca poderíamos pretender qualquer separação, sectarismo ou coisa que o valha. Uma das características do ser humano inteligente é aprender com os erros do passado, sejam ou não seus erros. E a história é uma fonte inesgotável das tolices humanas e das conseqüências nefandas que os separatismos proporcionaram.

Repetimos: buscamos apenas a coerência doutrinária. A separação das idéias, não das pessoas que as defendem.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Querem tirar Jesus do Espiritismo...

É assaz curioso como se propaga uma mentira. Havia um general de Hitler que pregava que uma mentira contada inúmeras vezes transformar-se-ia em verdade e é isso que estamos presenciando no momento. Culpam-se os espíritas que buscam a ortodoxia espírita de tudo, desde querer tirar Jesus do espiritismo ate aquecimento global e falhas na camada de ozônio.

Mas quais são os fatos? Os fatos são que os espíritas ortodoxos clamam e lutam pela busca da coerência doutrinaria, tal qual se encontra grafada na introdução de "O evangelho segundo o Espiritismo". Só. Nada alem disso. Mas qual o drama? O drama é que ao se resgatar isso, não sobra espaço para o culto à personalidade; o movimento espírita teria que abandonar a idolatria que faz a médiuns famosos, teria que deixar de considerar a "infalibilidade mediúnica", teria que começar a (que ousadia) pensar de maneira critica e racional. É ai que a coisa pega, pois há muitos interesses não espíritas em jogo, que vão desde a vaidade pessoal ate interesses meramente financeiros de editoras ou supostos escritores. Eis a verdade sob o véu da alegação de que "querem tirar Jesus do espiritismo".

Se conseguirmos retomar o resgate da coerência doutrinaria, da ortodoxia espírita como declarada na codificação, teremos necessariamente que rever também o sectarismo que se impõem no movimento espírita. Vou dar um exemplo; nesses dias, na comunidade Espiritismo Ortodoxo, iniciaram um tópico sobre o perdão, transcrevendo um trecho da codificação que aponta que o perdão verdadeiro é o perdão cristão. Oras, é necessário entender o que se quer dizer aqui, se somente cristãos são verdadeiramente capazes de perdoar ou se existe um modelo a ser seguido. Perguntei e tive como resposta que ando perseguindo cristãos... oras, mas são essas alegações que estabelecem um juizo de valor sobre quem não é cristão, colocando estas pessoas que respondem por 2/3 ou mais da humanidade em condições de que não são morais, não são éticos, não sabem perdoar, etc., etc.

Pergunto a vocês: Somente cristãos sabem perdoar? Se a pessoa é ateu, judeu, muçulmano, rasta, xintoísta, budista, zoroastrista, etc., etc., etc. não sabe perdoar?

Sábado, Dezembro 06, 2008

Espiritismo sem Chico Xavier

Texto de autoria do Randy, originalmente postado em uma comunidade do Orkut (link para a referida comunidade no titulo deste tópico)

Algumas pessoas vêm colocando a questão sobre o que seria um Espiritismo sem Jesus. E a acepção filosófica nos parece clara de que o caráter universal do Espiritismo não aceita a centralização em uma única figura. O Espiritismo é de todos e para todos que possam compreendê-lo, seja de cultura cristã, muçulmana, hindu, etc.

Por seu caráter universal, a única figura de que o Espiritismo não pode abrir mão é de Deus. Daí o fato de não ser possível entender um Espiritismo ateu.

Mas, no movimento espírita, feito por homens bem ou mal inspirados, todos em condição falível, vimos uma derrocada de seus principios cientificos e filosóficos quando ele foi desviado para um viés religioso atrasado e estagnador. Nao há conhecimentos novos apesar de haverem fatos novos; não há respostas novas para novas perguntas. E quanto mais o aspecto filosófico da DE é exercido, mais descobrimos o quanto a ausência de pesquisa cientifica e de metodologia de aferição prejudicam e jogam o ME para o atraso.

E o ME acomodou-se em Chico Xavier e seus derivados seguintes. Certamente bem intencionado, este escritor profícuo não conseguiu destacar ou pelo menos estimular entre os espíritas que admiram seus escritos essa necessidade das pesquisas. Chico, por exemplo, salvo engano nosso, JAMAIS mencionou o CUEE em seus escritos e tampouco a necessidade de aferição de suas próprias obras. Exatamente pelo tamanho de sua reputação, agrava-se o tamanho de sua responsabilidade em não retornar o Espiritismo ao seu foco de origem idealizado pelos espiritos superiores e compilado por Kardec.

O Espiritismo popularizou-se com Chico Xavier? Eu prefiro dizer que a expressão "Espiritismo" é que tomou fama e que seus conceitos se vulgarizaram. Os defensores de Chico diriam que ele foi uma figura ímpar, um exemplo moral e etc... Mas, exemplos morais e figuras impares existem em todos os cantos do planeta e nem precisamos citar alguns. O que não existiu foi o papel de liderança para conter os desvios. E ao contrário, os desvios se multiplicaram.

O que difere o Espiritismo de toda crença ou filosofia não é sua capacidade de produzir "lindas mensagens de amor" e "exemplos de caridade". Ninguém precisa ser espirita para escrever lindas mensagens de amor e muito menos ser exemplo de caridade. Nem mesmo foi o Espiritismo quem ensinou ou estimulou essa prática. Isso compõe um dos fundamentos das leis morais e naturais que o homem traz inscrito na consciência. O que difere o Espiritismo é sua capacidade de fornecer respostas cognitivas, informações, dados, parâmetros para que o individuo PENSE e aprimore sua capacidade moral, acelerando sua evolução espiritual.

Exemplos morais são fáceis de achar. As pessoas em geral subestimam seus pais, seus amigos, o vizinho, o pedinte da rua, o trabalhador, a dona de casa, em suma, as pessoas de bem que estão espalhadas em todo canto. Lá está o mendigo que não maldiz sua sorte e sempre sorri para os transeuntes; acolá está o pai de cinco filhos que acorda pela madrugada para honrar seus compromissos de trabalho no meio ao sofrimento de criar sua prole; ao nosso lado está o sujeito que vai ajudar seu vizinho que teve a casa inundada... ou seja, há sempre exemplos morais que podemos seguir e testemunhar, sem a necessidade de nos deslumbrarmos com fenomenos de mídia ou pessoas cuja vida intima não pudemos, de fato, acompanhar.

Então, Chico Xavier, como exemplo moral, é tão importante quanto qualquer trabalhador pelo bem. Aliás, ao menos em publico, ele jamais disse o contrário. Por que protestaria contra isso, então, um admirador deste escritor? Se ele não se considerava melhor do que ninguém, que autoridade qualquer pessoa tem para dizer que ele é melhor?

Mas, exemplos de estimulo ao conhecimento... Quantos temos?... Quantos são os pesquisadores espíritas?... Quantos são os catedráticos que se interessam em ciência espírita?... Onde estão estas pessoas?...

A resposta é que tais pessoas foram susbistuidos por fenomenos de mercado derivados de Chico Xavier. Estão aí os "autores espiritas" que acumulam fama e fortuna com peças literárias que nada possuem de inéditas, senão persistir e prolongar a fantasia das colonias espirituais tão divulgadas por Chico Xavier. Ao menos sabemos que Chico não procurou usufruir de sua fama e nam auferiu lucros pessoais com seus escritos, ao passo de que seus discipulos preferiram as luzes do estrelato.

Se exemplos morais nós temos, mas exemplos intelectuais nem tanto, e sabendo que as obras de Chico promoveram uma situação de comodismo entre os espiritas, em especial nos espiritólicos, tanto quanto promoveram a contra-informação e desvios doutrinários, no meu conceito fica muito claro que o Espiritismo sem Chico Xavier estaria melhor.

Melhor em números? Bem, COM Chico Xavier somente 1,4% da população do maior país espirita do planeta se declara, de fato, espírita. Então, Chico não influenciou, DE FATO, na divulgação do Espiritismo no Brasil.

Melhor em pesquisas cientificas? Sob influencia das obras de Chico, o Brasil não produziu pesquisas espíritas de alguma monta.

Melhor em atitudes morais?... Bem... as pessoas REALMENTE seguem o exemplo moral de Chico Xavier?... É isso o que vemos?...

Acredito que o ME não estaria tão acomodado. Sem os desvios doutrinários, o meio acadêmico não veria o Espiritismo como religião - o que de fato não é - e certamente o interesse oficial nas pesquisas e na obtenção de novas respostas para as novas perguntas já se teria feito fazer.

O bem que Chico Xavier fez para algumas pessoas somente tais pessoas podem dizer. Mas, o mal para o Movimento Espírita resultou no caos e no marasmo por que passamos, na criminosa deturpação do que nos ensina a codificação espírita, no misticismo, no sincretismo catolicista que jamais fez este planeta avançar. E com isso, se o Espiritismo veio CONSOLAR pela capacidade de fornecer respostas, quantas pessoas, de fato, deixaram de ser ajudadas?

Bem mais do que 1,4% da população deste país, certamente.

Não crucificamos Chico. Ele fez o que fez, mas faltou a intenção de quem o promovia - e citamos a FEB em especial - de submeter seus escritos ao rigoroso critério de aferição da verdade. Chico, então, poderia escrever o que desejasse, desde que quem publicasse se preocupasse com a verdade. Estes irresponsáveis hoje são anomimos. Sobrou, portanto, a cruz para ser carregada por Chico Xavier. Foi uma boa pessoa? Tudo indica que sim. Foi um bom divulgador da Doutrina Espíritas? Certamente que não. Foi usado e manipulado pelos roustanguistas da FEB?

Sem a menor dúvida, sim.

Segunda-feira, Outubro 20, 2008

De Que Lado está Emmanuel?

Temos percebido que em praticamente todo assunto a opinião do espírito Emmanuel é usada por boa parte de pessoas que se dizem espíritas para referendar determinada posição doutrinária, ou mesmo de cunho filosófico, científico e religioso.Porém, o que temos percebido ao longo do tempo é que a citada entidade espiritual, que só se comunicou através do médium Chico Xavier, adota posicionamentos antagônicos e contraditórios, sempre se utilizando de uma postura um tanto "diplomática" demais, onde quem sai perdendo é a correta divulgação dos princípios doutrinários espíritas.

Vamos aqui exemplificar essa autêntica salada que é feita por Emmanuel na tentativa de agradar a tudo e a todos, exaltando doutrinas e personagens cujos pensamentos afrontam os mais caros princípios espiritas.

Antes de listarmos essas posturas estranhas, é bom que se cite a possibilidade de algum arranjo para "encaixar" Emmanuel ao lado de certos grupos, com o intuito de dar autoridade a certas opiniões. Embora eu particularmente tenha minhas dúvidas sobre isso, o que se sabe bem até hoje é que a FEB sempre teve a "preocupação" de destruir os originais das mensagens psicografadas, sendo que Chico Xavier anuía com o fato, dentro de sua postura altamente passiva e subserviente, principalmente em relação aos dirigentes febeanos, que eram tratados como indivíduos praticamente perfeitos e acima de quaisquer suspeitas pelo citado médium. Assim sendo, não seria de admirar que tenha havido dois ou mais "Emmanuéis", adredemente usados para declararem o que os dirigentes febeanos quisessem, assim como toda sorte de místicos que se aproximavam de Chico Xavier à busca de um "OK" daquele médium, erroneamente elevado à categoria de autoridade doutrinária.

Emmanuel e Roustaing

A mais evidente aliança feita pelo espírito Emmanuel foi com o roustainguismo, isso é inegável. Tudo começou com o prefácio feito à obra "Vida de Jesus", do autor declaradamente rustenista Antônio Lima, em que da primeira à última página, o autor defende os princípios rustenistas, como o corpo fluídico de Jesus e a queda angélica, entre outros disparates que colidem frontalmente com a DE. Emmanuel chega a afirmar que o entendimento das questões abordadas no livro exigem uma espécie de entendimento superior, que ainda não está ao alcance de todos. Defendendo a diversidade no meio doutrinário, Emmanuel chega a declarar que “Cada qual, à maneira de Antônio Lima, poderá trazer o fruto de suas meditações e de seus estudos para a grande oficina da Fé.”
Mais tarde, Emmanuel reafirma suas convicções rustenistas, prefaciando, desta feita, a obra "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", uma obra que também, do inicio ao fim, faz propaganda ao rustenismo, mesmo de uma maneira velada e imperceptível a quem não conhece as idéias contidas em "Os Quatro Evangelhos", de J.B. Roustaing. O livro chega a citar Roustaing como coadjutor de Kardec, ao lado de León Dennis e Gabriel Delanne, além de fazer referência ao "anjo Ismael" como espírito guia do Brasil - lembrando que o chamado anjo Ismael sempre estimulou e defendeu o roustainguismo. Além disso, o livro contém capítulos de propaganda febeana, em que exalta a condição daquela instituição como entidade máxima e legítima do MEB. E, pasmém os amigos, a obra também cita uma comunicação nitidamente apócrifa e mistificatória atribuída a Kardec-espírito, em que o Codificador exalta a FEB, o anjo Ismael e, consequentemente, o rustenismo, ao adotar tbm um linguajar místico-religioso. Trancreveremos aqui mais adiante para que os amigos identifiquem os absurdos, principalmente os que ainda não conhecem bem a questão.

Emmanuel e Pietro Ubaldi

O espírito Emmanuel, pela pena de F. C. Xavier, faz alguns comentários sobre a obra de Pietro Ubaldi:

- "Quando todos os valores da civilização ocidental desfalecem numa decadência dolorosa, é justo que saudemos uma luz como esta, que se desprende da grande voz silenciosa da 'Grande Síntese'."

- "A "Grande Síntese" é o Evangelho da Ciência, renovando todas as capacidades da religião e da filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do Cristo em todos os institutos da evolução terrestre."

- "Enquanto o mundo velho se prepara para as grandes provações coletivas, sugere que meditemos sobre o campo infinito da Providência Divina, que enaltece a glória sublime e imperecível do Espírito imortal."

Vimos aí o apoio de Emmanuel à obra de Ubaldi, o que até se justifica pela similitude entre os princípios rustenistas e ubaldistas em certos pontos importantes, como o da queda angélica, por exemplo, que afronta um princípio básico e elementar da DE que é o da não-retrogradação.

Emmanuel, Herculano e Ubaldi

E dentro desta mesma tendência de apoiar tudo e todos, Emmanuel afirma ser Herculano Pires "o metro que melhor mediu Kardec". Mesmo reconhecendo que o espírito foi justo na sua consideração desta feita, mais uma vez vemos o pensamento contraditório de Emmanuel, já que Herculano foi um defensor da coerência doutrinária, e sempre alertou quanto aos perigos do Rustenismo, do Ubaldismo e do Ramatisismo.

Em relação a Pietro Ubaldi, Herculano responde a mensagem que Pietro Ubaldi enviou ao VI Congresso Espírita Pan-Americano, realizado no mês de outubro de 1963, em Buenos Aires, e que causou estranheza nos meios doutrinários. Depois de discorrer sobre a estagnação das religiões, o autor de A Grande Síntese chega às seguintes conclusões:

1 - "O Espiritismo estacionou na teoria da reencarnação e na prática mediúnica;
2 - Não possuindo “um sistema conceptual completo”, não pode ele ser levado a sério pela cultura atual;
3 - A filosofia espírita é limitada, não oferece uma visão completa do Todo e “não abrange todos os momentos da lei de Deus;
4 – O Espiritismo não construiu uma “teologia espírito-científica, que explique o que a católica não explica”;
5 - O Espiritismo “corre o perigo de ficar parado no nível Allan Kardec, como o catolicismo ficou no nível São Tomás e o protestantismo no nível Bíblia”.Diante dessa situação, propõe Ubaldi a adoção, pelo Espiritismo, dos livros de sua autoria, abrangendo a “série italiana” e a “série brasileira”.E explica: “Trata-se de um produto realizado de uma forma que permite que ele caiba dentro do Espiritismo, porque atingido por inspiração, que é por ele julgada a mais alta forma de mediunidade, aquela consciente, controlada pela razão”.

E logo mais afirma:

“Só assim o Espiritismo poderá avançar paralelo à ciência e exigir atenção de parte dos materialistas, porque usa a forma mental e os métodos racionais dele. Só assim o Espiritismo poderá sair do trilho dos costumeiros conceitos que se repetem nas sessões rnediúnicas e colocar-se no nível do mais adiantado pensamento moderno, penetrando no terreno da filosofia e da ciência e situando-se na sua altura”.

Ao que Herculano responde:

"A redação e a tradução dessa mensagem de Ubaldi, como se vê, por estes pequenos trechos, estão muito abaixo do texto de suas obras mais inspiradas, que pertencem à “série italiana”. Por outro lado, verifica-se que faltou a Ubaldi a percepção necessária para captar o processo espírita em suas verdadeiras dimensões. O admirável médium de A Grande Síntese revela absoluta falta de acuidade e de compreensão da realidade espírita no mundo de hoje, onde o Espiritismo vem cumprindo serenamente a sua finalidade. A sua crítica ao Espiritismo, resumida nos cinco pontos acima, coincide com a dos adeptos menos instruídos na doutrina, e pode ser respondida, ponto por ponto, por qualquer adepto de inteligência e cultura medianas, que conheça a Doutrina Espírita. Por outro lado, o oferecimento de suas obras ao Espiritismo revela desconhecimento da natureza da nossa doutrina e das exigências metodológicas para a aceitação da proposta, que não cobre essas exigências. Ubaldi desenvolveu suas faculdades mediúnicas à margem do Espiritismo. Seu primeiro livro, A Grande Síntese, apresenta curioso paralelismo com o Espiritismo, o que lhe valeu a simpatia e a amizade dos espíritas brasileiros. Na Itália ou no Brasil, porém, Ubaldi recusou-se sempre a integrar-se no movimento espírita, filiando-se na península à corrente da Ultrafânia, do prof. Trespioli, que pretende haver superado a concepção espírita.
Em seu livro As Noúres, Ubaldi nos oferece a concepção ultrafâníca da mediunidade, na qual enquadra o seu caso pessoal. É uma pretensiosa concepção de mediunidade cósmica, fugindo à naturalidade e simplicidade das comunicações espirituais entre espíritos desencarnados e médiuns. As pretensões de Ubaldi o transformaram, de simples médium em autor messiânico, agora arvorado em reformador do Espiritismo.Respondemos aos itens da sua crítica da seguinte maneira:
1 - O Espiritismo é uma doutrina evolucionista, como o provam as suas obras fundamentais e o seu imenso desenvolvimento em apenas cem anos de existência;
2 - O sistema conceptual espírita é completo e sua síntese está em O Livro dos Espíritos;
3 - A filosofia espírita não pode abranger o Todo e muito menos “todos os momentos da lei de Deus”, porque isso não está ao alcance de nenhuma elaboração mental, no plano relativo da vida terrena;
4 - A teologia espírita é limitada às possibilidades atuais do conhecimento de Deus, segundo ensina Allan Kardec, e essas possibilidades não admitem ainda a criação na Terra de uma teologia científica, nem dentro nem fora do Espiritismo;
5 - O “nível Allan Kardec” não é o do Espiritismo, mas sim o “nível Espírito da Verdade”, de quem Kardec, segundo dizia, foi um “simples secretário”. Encontrando-se, pois, nesse plano de revelação constante e progressiva, que é o da manifestação do Espírito da Verdade, segundo o próprio Kardec adverte, o Espiritismo está livre dos perigos da estagnação dogmática. Se, pelo contrário, adotasse as obras de Ubaldi para completá-lo, o Espiritismo cairia imediatamente no dogmatismo. Para cumprir sua missão, em todos os campos da atividade humana, o Espiritismo tem de manter-se como Ciência do Espírito (que investiga o elemento inteligente do Universo, paralelamente com a Ciência da Matéria, que investiga o elemento material); como Filosofia Livre, “sem os prejuízos do espírito de sistema”, segundo a expressão feliz de Kardec; e como Religião em Espírito e Verdade, de acordo com o anúncio do Cristo à Mulher Samaritana."

Emmanuel e Ramatis

Embora Ramatis discorde de Roustaing na questão do corpo fluídico, possua teoria própria em relação à queda angélica, defenda Jesus como um espírito e o Cristo como outro, afirme, ao contrário de Emmanuel, que Jesus tenha estado e aprendido com os essênios, e defenda uma mescla com as religiões orientais, ao contrário da tese cristocêntrica apoiada pela FEB, anjo Ismael, Roustaing e Emmanuel, este último, seguindo sua tendência de apoiar tudo e todos contra a DE, comenta sobre o posicionamento de Ramatis em relação aos fim dos tempos catastrófico e quejandos.

Leiamos o relato ramatisista:

"Logo que apareceram as primeiras publicações da "Conexão de Profecias" (hoje com o título Mensagens do Astral), de Ramatis, fomos a Pedro Leopoldo, a fim de ouvir a palavra autorizada de Emmanuel, através daquele aparelho maravilhoso que é Francisco Cândido Xavier. Isto, porque o que era dito pelo espirito de Ramatis, parecia-nos perfeitamente lógico. Mas, como constituía novidade, não queríamos aceitar de pronto algo que não passasse pelo crivo de várias manifestações mediúnicas, através de diversos aparelhos.Desta forma, munidos do aparelho de gravação em fita, fomos atendidos gentilmente pelo médium, que respondeu às perguntas que fazíamos, repetindo as palavras da resposta, que eram ditadas por Emmanuel. A gravação foi feita no dia 5 de janeiro de 1954. Conservamos até hoje o rolo gravado em nosso poder. Passamos a estampar as perguntas e respectivas respostas:

Pergunta: - Que pode o irmão dizer-nos a respeito do astro que se avizinha, segundo a predição de Ramatis?

Chico Xavier: - Afirma nosso Orientador espiritual que não podemos esquecer que a Terra, em sua constituição física, propriamente considerada, possui os seus grandes períodos de atividade e de repouso. Cada período de atividade e cada período de repouso da matéria planetária, que hoje representa o alicerce de nossa morada temporária, pode ser calculado, cada um, em duzentos e sessenta mil (260.000) anos. Atravessando o período de repouso da matéria terrestre, a vida se reorganiza, enxameando de novo, nos vários departamentos do Planeta, representando, assim, novos caminhos para a evolução das almas.Assim sendo, os grandes instrutores da Humanidade, nos planos superiores, consideram que, desses 260.000 anos de atividade, 60 a 64 mil anos são empregados na reorganização dos pródomos da vida organizada. Logo em seguida, surge o desenvolvimento das grandes raças que, como grandes quadros, enfeixam assuntos e serviços, que dizem respeito à evolução do espírito domiciliado na Terra. Assim, depois desses 60 a 64 mil anos de reorganização de nossa Casa Planetária, temos sempre grandes transformações, de 28 em 28 mil anos. Depois do período dos 64 mil anos, tivemos duas raças na Terra, cujos traços se perderam, por causa de seu primitivismo. Logo em seguida, podemos considerar a grande raça Lemuriana, como portadora de urna inteligência algo mais avançada, detentora de valores mais altos, nos domínios do espírito. Após a raça Lemuriana - em seguida aos 28.000 anos de trabalho lemuriano propriamente considerado - chegamos ao grande período da raça Atlântida, era outros 28.000 anos de grandes trabalhos, no qual a inteligência do mundo se elevou de maneira considerável.

Achamo-nos, agora, nos últimos períodos da grande raça Ariana. Podemos considerar essas raças, como grandes ciclos de serviços, em que somos chamados de mil modos diferentes, em cada ano de nossa permanência na crosta do planeta, ou fora dela, ao aperfeiçoamento espiritual, que é o objetivo de nossas lutas, de nossos problemas, de nossas grandes questões, na esfera de relações, uns para com os outros. Assim considerando, será mais significativo e mais acertado, para nós, venhamos a estudar a transformação atual da Terra sob um ponto de vida moral, para que o serviço espiritual, confiado às nossas mãos e aos nossos esforços, não se perca em considerações, que podem sofrer grandes alterações, grandes desvios; porque o serviço interpretativo da filosofia e da ciência está invariavelmente subordinado ao Pensamento Divino, cuja grandeza não podemos perscrutar. (Neste ponto, ele sutilmente discorda de Ramatis.)

Cabe-nos, então, sentir, e, mais ainda, reconhecer, que os fenômenos da vida moderna e as modificações que nosso "habitat" terreal vem apresentando nos indicam a vizinhança de atividades renovadoras, de considerável extensão. Daí esse afluxo de revelações da vida extra-terrestre, incluindo sobre as cogitações dos homens; esses apelos reiterados, do mundo dos espíritos; essa manifestação ostensiva, daqueles que, supostamente mortos na Terra, são vivos na eternidade, companheiros dos homens em outras faixas vibratórias do campo em que a humanidade evolui. Toda essa eclosão de notícias, de mensagens, de avisos da vida espiritual, devem significar para o homem, domiciliado na Terra do presente século, a urgência do aproveitamento das lições de JESUS. Elas devera ser apreciadas em si mesmas, e examinadas igualmente no exemplo e no ensinamento de todos aqueles que, em variados setores culturais, políticos e filosóficos do globo - lhe traduzem a vontade divina, que na essência é sempre a nossa jornada para o Supremo Bem.

Elogios rasgados e críticas veladas...

Os termos da comunicação obtida em Curitiba (a "Conexão de Profecias", de Ramatis) são de admirável conteúdo para a nossa inteligência, de vez que, realmente, todos os fatos alusivos à evolução da Terra, e referentes a todos os eventos, que se relacionam com a nossa peregrinação para a vida mais alta, estão naturalmente planificados, por aqueles ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo; os quais, de acordo com Ele, estabelecem programas de ação para a coletividade planetária, de modo a facilitar-lhe os vôos para a divina ascensão. Embora, porém, esta mensagem, por isso mesmo, seja digna de nosso melhor apreço, contudo, na experiência de companheiro mais velho, recomenda-nos nosso Orientador Espiritual (Emmanuel) um interesse mais efetivo, para a fixação de valores morais em nossa personalidade terrena, de conformidade com os padrões estabelecidos no Evangelho de nosso Divino Mestre. Porque, para nossa inteligência, os fenômenos renovadores da existência que nos cercam têm qualquer coisa de sensacional, de surpreendente, nosso coração de inclinar-se, humilde, diante da Majestade do Senhor, que nos concede tantas oportunidades de trabalho, em nós mesmos, a revelação dos grandes acontecimentos porvindouros; novo soerguimento íntimo, novo modo de ser, a fim de que estejamos realmente habilitados a enfrentar valorosamente as lutas que se avizinham de nós, e preparados para desfrutar a Nova Era que, qual bonança depois da tempestade, facilitará nossos círculos evolutivos.Será, todavia, muito importante encarecer, que não devemos reclamar, do terceiro milênio, uma transformação absolutamente radical, nos processos que caracterizam, por enquanto, a nossa vida terrestre. O prazo de 47 anos é diminuto, para sanar os desequilíbrios morais, de tantos séculos, em que o nosso campo coletivo e individual adquiriu tantos débitos, diante da sabedoria e diante do amor, que incessantemente apelam para nossa alma, no sentido de nos levantarmos, para uma clima mais aprimorado da existência.

Vimos, logo acima, uma flagrante discordância.

Chico Xavier/Emmanuel prosseguem:

"Não podemos esquecer, que grandes imensidades territoriais, na América, na África e na Ásia, nos desafiam a capacidade de trabalho. Não podemos olvidar, também, que a Europa, superalfabetizada, se encontra num Karma de débitos clamorosos, à frente da Lei, em doloroso expectação, para o reajuste moral, que Ihe é necessário.Aqui mesmo, no Brasil, numa nação com capacidade de asilar novecentos (900) milhões de habitantes, em quatrocentos e alguns anos de evolução, mal estamos -os espíritos, encarnados na Terra em que temos a bênção de aprender ou recapitular a lição do Evangelho - mal estamos passando das faixas litorâneas. Serviços imensos esperam por nossas almas no futuro próximo. E, se é verdade que devemos aguardar, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, condições mais favoráveis para a estabilização da saúde humana, para o acesso mais fácil às fontes da ciência; se nos compete a obrigação de esperar o melhor para o dia de amanhã cabe-nos, igualmente, o dever de não olvidar que, junto desses direitos, responsabilidades constringentes contam conosco, para que o Mundo possa, efetivamente, atender ao programa Divino, através, não somente da superestrutura do pensamento científico - que é hoje um teto brilhante para os serviços de inteligência do mundo - mas também, através de nossos corações, chamados a plasmar uma vida, que seja realmente digna de ser vivida por aqueles que nos sucederão nos tempos duros; entre os quais, naturalmente, milhões de nós os reencarnados de agora, formaremos, de novo, como trabalhadores que voltam para o prosseguimento da tarefa de auto acrisolamento, para a ascensão sublime, que o Senhor nos reserva.

Mais discordâncias, porém com elogios...

Pergunta: - Foi, de fato, há 37.000 anos que submergiu a Atlântida? (Ramatis afirma isso)

Chico Xavier: - Diz nosso Amigo (Emmanuel) que o cálculo é, aproximadamente, certo, considerando-se que as últimas ilhas, que guardavam os remanescentes da civilização atlântida, submergiram, mais ou menos, 9 a 10 mil anos, antes da Grécia de Sócrates.

Pergunta: - Poderíamos ter alguns informes a respeito de Antúlio? (Para Ramatis, Antúlio foi uma das encarnações de Jesus)

Chico Xavier: - Vejo, aqui, nosso diretor espiritual, Emmanuel, que nos diz que um estudo acerca da personalidade de Antúlio exigiria minudências relacionadas com a história, no espaço e no tempo, que, de imediato, não podemos realizar. De modo que, tão somente, pode afiançar-nos que se trata de uma entidade de elevada hierarquia, no plano espiritual; vamos dizer, um assessor, ou um daqueles assessores, que servem nos trabalhos de execução do plano divino, confiado ao Nosso Senhor Jesus Cristo, para a realização do progresso da Terra, em geral. Esclarece nosso amigo que Jesus Cristo, como governador de nosso mundo, no sistema solar, conta, naturalmente, com grandes instrutores, para a evolução física e para a evolução espiritual, na organização planetária. E, subordinados a esses ministros, para o progresso da matéria e do espirito, no plano que nós habitamos presentemente, conta Ele com uma assembléia de múltiplos instrutores, de variadas condições, que lhe obedecem as ordens e instruções, numa esfera, cuja elevação, de momento, escapa à nossa possibilidade de apreciação. Antúlio forma no quadro destes elevados servidores. (Visão cristocêntrica de Emmanuel x visão descentralizada de Ramatis)


Quem consegue entender?

Pergunta: - Acha nosso irmão que a Mensagem de Ramatis deva ser divulgada com amplitude?

Chico Xavier: - Diz nosso Orientador que a Mensagem é de elevado teor... E todo trabalho organizado com o respeito, com o carinho e com a dignidade, dentro dos quais essa Mensagem se apresenta, merece a nossa mais ampla consideração, de vez que todos nós, em todos os setores, somos estudiosos, que devemos permutar as nossas experiências e as nossas conclusões para a assimilação do progresso, com mais facilidade em favor de nós mesmos."

Dentro dessa salada doutrinária de Emmanuel, temos elogios e considerações favoráveis a todos. Teses e idéias das mais antagônicas são apoiadas por Emmanuel, desde o orientalismo catastrofista de Ramatis até o religiosismo católico impregnado em Roustaing.

E a pergunta é: De que lado está/esteve Emmanuel?

Adendos

Conforme prometido, vamos analisar o que o Kardec-espírito da FEB teria ditado em sua mensagem através do médium rustenista Frederico Júnior e espertamente publicada no livreto "A Prece", como para referendar a "missão" do anjo Ismael, a da FEB como "casa-máter", a do Brasil como "coração do mundo, pátria do Evangelho" e do roustainguismo.

"Sendo assim, a esse pedaço de terra, a que chamais Brasil, foi dada também a Revelação da Revelação...", pág. 13

Nosso comentário: Revelação da Revelação é sub-título de "os Quatro Evangelhos".

"Ismael, o vosso guia, tomando a responsabilidade de vos conduzir ao grande templo do amor e da fraternidade humana, levantou a sua bandeira, tendo inscrito nela - Deus, Cristo e Caridade. Forte pela dedicação, animado pela misericórdia de Deus. que nunca falta aos trabalhadores, sua voz santa e evangélica ecoou em todos os corações, procurando atraí-los para um único agrupamento onde, unidos..., onde enlaçados num único sentimento - o do amor - pudessem adorar o Pai em Espírito e Verdade..."

Nosso comentário: A expressão "em espírito e verdade" é exaustivamente repetida nos livros de Roustaing, e na mensagem a puseram na boca de Kardec...

Mais referências do Kardec-espírito da FEB enaltecendo o anjo Ismael:

"...todos os espíritas tinham o dever sagrado de vir aqui se agruparem - ouvir a palavra sagrada do bom Guia Ismael - único que dirige a propaganda da Doutrina nesta parte do planeta e único que tem a responsabilidade de sua marcha e desenvolvimento." (págs. 14/15)

O pseudo-Kardec da FEB renuncia á sua condição de Codificador do Espiritismo ao declarar que a Doutrina Espírita está contida nos "Os Quatro Evangelhos" de Roustaing - A Revelação da Revelação:

"...tudo converge para a Doutrina Espírita - Revelação da Revelação". (pág. 16)

O "templo" de Ismael é exaltado:

"Disciplinai-vos pelos bons costumes no Templo de Ismael..." (pág. 19)

Como se vê, num centro doutrinariamente roustainguista, a mensagem atribuída a Kardec não poderia ser de outra forma. Os espíritos, adeptos do Docetismo (que pregava o corpo aparente de Jesus), ressuscitado por Roustaing, a cuja falange pertence Ismael, forjaram um Kardec para atestar a suposta missão do "anjo" Ismael e a importância da "Revelação da Revelação". Um Kardec irreconhecível, que sai em defesa desesperada de Ismael e diz:

"Assim, quando os inimigos da Luz - quando o espírito da trevas julgava esfacelada a bandeira de Ismael, símbolo da Trindade Divina..." (pág. 14)

Vemos dois erros graves: a expressão "espírito das trevas", que Kardec jamais usou, por ser errada e inadequada (ver pergunta 361-A de O LE), e a defesa da trindade divina, inaceitável para o Espiritismo.

O Kardec da FEB é místico

Vejam só:

"Se fora possível, a todos os que estremecem diante desses quadros horrorosos, praticar o jejum de que falava Jesus aos seus apóstolos; se fora possível a cada um compreender o papel do verdadeiro sacerdote, de que se acha incumbido, quando procura repartir a hóstia sagrada, no altar de Jesus, com seus irmãos na Terra." (p.250)

O pseudo-Kardec da FEB enaltece a caridade sem discernimento:

"A caridade que exclui a razão, a prudência e o bom-senso - a verdadeira caridade - é instintiva!" (p.29)

E se contradiz mais adiante:

"Assim pois, o bem deve ser feito indistintamente, seja qual for o terreno em que houvermos de praticar. Mas, nem o próprio bem pode excluir a nossa razão, quando, tratando-se da justiça de Deus, pretendemos contrariá-la." (p.36)

Mais alguns detalhes

Emmanuel: "O Consolador", perg. 243, 277, 283 e 287, afirma, em defesa da evolução de Jesus em linha reta, isto é, sem reencarnar, exatamente como encontramos em Roustaing:

"Todas as entidades espirituais encarnadas no orbe terrestre são Espíritos que resgatam ou aprendem nas experiências humanas, após as quedas do passado, com exceção de Jesus-Cristo, fundamento de toda a verdade neste mundo, cuja evolução se verificou em linha reta para Deus, e em cujas mãos angélicas repousa o governo espiritual do planeta, desde os seus primórdios."

"O Eleito, porém, é aquele que se elevou para Deus em linha reta, sem as quedas que nos são comuns, sendo justo afirmar que o orbe terrestre só viu um eleito, que é Jesus-Cristo."

"Antes de tudo, precisamos compreender que Jesus não foi um filósofo e nem poderá ser classificado entre os valores propriamente humanos, tendo-se em conta os valores divinos de sua hierarquia espiritual, na direção das coletividades terrícolas."

"A dor material é um fenômeno como o dos fogos de artifício, em facedos legítimos valores espirituais."

"Homens do mundo, que morreram por uma idéia, muitas vezes não chegaram a experimentar a dor física, sentindo apenas a amargura da incompreensão do seu ideal."

"Imaginai, pois, o Cristo, que se sacrificou pela Humanidade inteira, e chegareis a contemplá-Lo na imensidão da sua dor espiritual, augusta e indelével para a nossa apreciação restrita e singela."

"De modo algum poderíamos fazer um estudo psicológico de Jesus,estabelecendo dados comparativos entre o Senhor e o homem."

"Examinados esses fatores, a dor material teria significação especial para que a obra cristã ficasse consagrada? A dor espiritual, grande demais para ser compreendida, não constitui o ponto essencial da sua perfeita renúncia pelos homens?"

Chico Xavier fala de Roustaing

"Aguardo, com justificado interesse, o teu trabalho sobre Kardec-Roustaing. Deve ter sido um esforço exaustivo, mas muito lindo, o de procurar notícias das relações de ambos, nas publicações do "Espiritismo jovem". Creio que esse trabalho, do qual te ocupas agora, é de profunda significação para o nosso movimento. Esperarei o "Reformador", de outubro próximo, ansiosamente." (Carta de Chico Xavier ao então presidente da FEB, Wantuil de Freitas, a 15 de setembro de 1946, a propósito de um estudo de autoria de Wantuil, publicado na edição de outubro do mesmo ano em "O Reformador")

"Sinto inveja da leitura que vens fazendo com o Ismael da "Revue Spirite". Deve ser um encanto entrar em contato com essas coleções antigas. Creio que estás fazendo esse trabalho com a inspiração de nossos Maiores. Creio, não - tenho a certeza disso. Que possamos recolher muitos frutos dessa tarefa abençoada é o meu desejo muito sincero. Aguardo tuas notícias novas sobre a revisão do "Roustaing". Não te excedas nesse serviço. Das 7 às 23 horas é demais. Resguarda teus órgãos visuais. Lembra-te de que a tua família espiritual hoje é enorme. " (Idem, com data de 25 de setembro de 1946, ainda sobre o mesmo assunto)

Chico comenta, ainda uma vez, em correspondência com data de 29 do mesmo mês, a nova edição da obra de Roustaing:"

(...) Aguardo com muito interesse a nova edição do "Roustaing". Constituirá um grande serviço à Causa da Verdade e do Bem, nos moldes de que me tens dado notícias.

Sobre o trecho de Roustaing em "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho":

"Não te incomodes com a declaração havida de que o trecho alusivo a Roustaing, em "Brasil", foi colocado pela Federação. Quando descobrirem que a Casa de Ismael seria incapaz disso, dirão que fui eu. De qualquer modo, eles falarão. O adversário tem sempre um bom trabalho - o de estimular e melhorar tudo, quando estamos voltados para o bem. "(Carta de Chico para Wantuil, de 25 de março de 1947)

O presidente da FEB dá-lhe algumas informações sobre o caso, também por correspondência. Chico agradece, em nova missiva, esta última de 15 de abril do mesmo ano:

"Agradeço as notícias que me deste, relativamente ao caso da acusação havida quanto ao livro "Brasil". Deus te proteja em teu ministério de supervisão espiritual."

Meses mais tarde, ambos retornam ao assunto, dessa vez falando sobre uma nova edição desta obra. Wantuil enviara a Chico um exemplar com pequenos ajustes de redação, mas estava especialmente preocupado com a polêmica surgida sobre o trecho referente a Roustaing, e avaliava a possibilidade de adiar-se um pouco a nova tiragem, ou mesmo de submeter o trecho à revisão do autor espiritual. Chico discorda, e apresenta sua ponderação, em correspondência de 24 de agosto de 1947:

"Nosso gesto poderia traduzir, para muitos, temor ou excessiva consideração para com o bloco que nos acusa de interpolar os textos mediúnicos, porque não tendo havido uma providência desta, em qualquer edição dos livros recebidos em Pedro Leopoldo, desde a publicação do "Parnaso", há quinze anos, a mudança seria extremamente chocante."...

Mas deixa a decisão final para o então presidente da "Casa de Ismael", assinalando:

"De uma coisa poderemos estar certos - é de que nunca estaremos livres da perseguição e da leviandade dos nossos adversários gratuitos. Mais vale recebê-los com paternal vigilância que dispensar-lhes excessiva consideração.(...)"

Santa ingenuidade...

Sobre a revisão geral do texto, de natureza linguística, Chico agradece a dedicação de Wantuil em nova carta, enviada apenas seis dias depois:

"Restituí-te o livro ontem com todas as corrigendas que fizeste e podes crer que esses reajustamentos e todos os outros que puderes fazer, no "Brasil, Coração do Mundo"e em todos os outros livros, representam motivo de imenso prazer e de indefinível conforto para mim. Deus te recompense."

Em outubro de 1947, Wantuil publica em "O Reformador" um artigo sobre a questão do corpo fluídico de Jesus, um dos pontos mais importantes da obra "Os Quatro Evangelhos". Chico elogia o trabalho feito em missiva de 13 de novembro...

"Considero muito valiosa a página "Corpo Fluídico?", do Reformador de outubro próximo passado. É de autoria de quem? Trata-se de um trabalho condensado de grande expressão educativa."... e ainda reforça o elogio em outra, de 22 do mesmo mês:

"Minhas felicitações pela encantadora e substanciosa página "Corpo Fluídico?". Creio que deves continuar a produzir trabalhos semelhantes para a nossa edificação geral."

1951, 15 de março. Os filhos de Wantuil seguem para a Europa. Vão a Bordéus (cidade de Roustaing) e Paris, em missão de pesquisa. Chico alegra-se com a notícia:

"Estou muito contente com a partida dos teus rapazes para a Europa. Será um grande serviço à nossa Causa a visita a Bordéus e Paris. Observador quanto é, Zêus pode trazer muito material informativo edificante para nós no Brasil, mormente no que se refere à obra de Roustaing. Também lastimo que o tempo dos dois estimados viajantes seja tão curto lá."

1952, 23 de outubro: "Minhas felicitações pelo teu belo trabalho com a obra de Roustaing. Está realizando um serviço de grande importância para o nosso ideal."

Em março de 53, Chico demonstra curiosidade sobre as vendas das obras de Kardec, Roustaing e dos grandes pioneiros de nossa doutrina - Léon Denis, Flammarion e Dellane - ressaltando seu valor doutrinário:

"Tendo em alta conta e profunda estima a obra de Kardec e de Roustaing e dos grandes pioneiros que foram Léon Denis, Flammarion e Delanne, ficaria muito contente e agradecido se me desses a conhecera estatística sobre a penetração dos livros que nos legaram, em nossa Pátria, caso tenhas essa estatística com facilidade. Considero essa penetração muito importante para o traalho de nossa Consoladora Doutrina, no Brasil."Wantui envia-lhe os dados requeridos. Chico agradece, a 27 de junho do mesmo ano:"Grato pelas notícias dos grandes pioneiros Roustaing, Denis, Flammarion e Dellane. Se a "Revue Spirite" algo publicar, esperarei tuas notícias."

Mensagem de Ismael sobre a Concepção da "Virgem" e a Natureza do Corpo de Jesus

Abaixo uma mensagem de Ismael sobre o corpo de Jesus, recebida por Frederico Pereira da Silva Junior:

"Meus filhos, bem pouco me cabe dizer sobre o vosso estudo de hoje. Soubestes guardar convosco a paz que os vossos guias vos trouxeram e, recebendo facilmente as suas inspirações, pudestes, com o vosso próprio espírito, tocar a verdade. É assim que firmastes opinião definitiva sobre a concepção da sempre Virgem e sobre o corpo aparentemente carnal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se a opinião isolada do vosso bom Mestre Allan Kardec pôde, de alguma sorte, influir no entendimento de alguns, fazendo-lhes crer que o Redentor do mundo viera revestir-se da matéria grosseira dos corpos comuns, para dar o exemplo das maiores virtudes, encaminhando a humanidade inteira para a terra da promissão, hoje, que todos os Espíritos bem iluminados afirmam que o nascimento de Jesus foi todo aparente, que o seu corpo apenas se constituíra de fluidos concentrados no seio da sempre Virgem Maria, não há razão de ser para duas opiniões a tal respeito. Maria foi sempre mãe de Jesus, como todas as mães são mães dos homens. Se o que se gera no ventre da mulher não é o Espírito, mas sim a massa que vai vestir o mesmo Espírito, incontestavelmente Maria foi mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E, assim, bem o vêdes, realizaram-se todas as profecias; e, assim, veio ao mundo Aquele a quem devemos a Seara da abundância, os frutos da verdade. Insistamos: a opinião do homem, falível quase sempre, pôde como que inocular, no espírito de seus irmãos, a idéia de que Jesus, se não revestisse um corpo carnal, igual ao de todas as criaturas humanas, seus sofrimentos seriam nulos. Entretanto, como bem disseram entre vós, qual o maior sofrimento, o físico ou o sofrimento moral? Mas, mesmo com esse corpo de natureza celeste, com essa reunião de moléculas fluídicas, que ainda desconheceis, não seria possível o próprio sofrimento físico do Redentor? Quem sofre, é o Espírito ou a carne? Não é a lesão, o golpe sobre a matéria que, por intermédio do perispírito, faz chegar ao Espírito as sensações e a dor? Vêdes, portanto, que não pode prevalecer de modo algum a opinião isolada do vosso bom Mestre Allan Kardec. Meus filhos, continuemos a estudar os Evangelhos do Senhor em todos os seus mais pequeninos detalhes. Procurai conhecer o espírito de toda a letra, com humildade, porque a verdade há de fazer-se aos vossos olhos, como um testemunho do agrado do Senhor, que vos vê esquecidos das paixões do mundo, concentrados, estudando a vida do seu amado Filho. O único requisito que se vos pede é a humildade. Ismael